Tanhaçu

Mulher denuncia violência obstétrica em hospital de Tanhaçu

Relato nas redes sociais expõe falhas graves no sistema de saúde municipal e aponta mortes recorrentes de bebês.

Mulher perde bebê em hospital de Tanhaçu na Bahia
Mulher denunciar violência obstetrícia sofrida em hospital de Tanhaçu ( Foto: Globo Mud)

Uma mulher usou as redes sociais para relatar os momentos de terror que viveu durante seu trabalho de parto no Hospital Municipal de Tanhaçu, na Bahia. O que deveria ser um momento de alegria com a chegada do filho se transformou em sofrimento e tragédia.

Segundo a vítima, desde o início da gestação ela precisou recorrer ao sistema público de saúde do município, enfrentando um cenário de desorganização e falta de preparo dos profissionais. As denúncias apontam que as violências obstétricas começaram já na fase de acompanhamento da gravidez, com exames essenciais demorando longos períodos para serem realizados e atendimentos feitos por profissionais sem experiência adequada.

Ao sentir fortes dores, a gestante procurou inicialmente um posto de saúde, mas os profissionais não conseguiram identificar os problemas. Com o agravamento do quadro, ela foi encaminhada ao hospital da cidade, onde afirma ter iniciado uma verdadeira “tortura”. De acordo com o relato, mesmo sem condições técnicas e estrutura adequada, a equipe tentou realizar o parto sem transferi-la para uma unidade com suporte especializado.

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Durante o procedimento, práticas consideradas violentas foram utilizadas, como pressão sobre a barriga e manobras invasivas sem preparo. A demora na transferência e as técnicas inadequadas resultaram na morte do bebê.

A denúncia também aponta que outros casos semelhantes já ocorreram no Hospital Municipal de Tanhaçu, com relatos de bebês que perderam a vida ou nasceram com sequelas devido à falta de capacitação dos profissionais.

O caso reacende o debate sobre a violência obstétrica e a necessidade urgente de melhorias na estrutura e qualificação da saúde pública no interior da Bahia.

O que é violência obstétrica e como denunciar

A violência obstétrica é caracterizada por práticas abusivas, desrespeitosas ou negligentes durante o pré-natal, parto e pós-parto. Ela pode ocorrer por meio de agressões verbais, procedimentos dolorosos sem consentimento, recusa de atendimento adequado, uso de técnicas ultrapassadas ou desnecessárias e pela falta de informação clara à gestante.

No Brasil, embora não exista uma lei específica que tipifique a violência obstétrica como crime autônomo, essas práticas podem ser enquadradas em diferentes dispositivos legais, como:

  • Código Penal: maus-tratos, lesão corporal ou até homicídio, dependendo da gravidade.
  • Constituição Federal: violação do direito à dignidade, saúde e integridade física.

Como denunciar

  • A vítima pode registrar ocorrência na delegacia (preferencialmente na Delegacia da Mulher).
  • É possível acionar o Ministério Público e a Defensoria Pública, que podem investigar e propor ações contra o hospital e os profissionais envolvidos.
  • Também é recomendável formalizar denúncia junto à Ouvidoria do SUS (telefone 136) ou ao Conselho Regional de Medicina e Enfermagem.

Indenização e processo judicial

  • A vítima pode ingressar com ação cível contra o hospital e os profissionais, pedindo indenização por danos morais e materiais.
  • Em casos de morte ou sequelas, também é possível pleitear pensão ou reparação financeira.
  • O processo pode ser movido com apoio de advogado particular ou pela Defensoria Pública, sem custos para quem não pode pagar.
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